sexta-feira, 9 de outubro de 2015
segunda-feira, 28 de setembro de 2015
sábado, 26 de setembro de 2015
pequenos suicidios sem valor - abertura, 1 de Outubro
O mesmo homem não pode atravessar o mesmo rio,
porque o homem de ontem não é o mesmo homem,
nem o rio de ontem é o mesmo de hoje.
Heráclito
Estas séries de fotografias têm como eixo central corpos transitórios, num processo contínuo de transformação e produção de si. Como modos de vida que não servem mais, Pequenos suicídios sem valor, são aberturas para o novo, para múltiplas possibilidades. Trata-se de um movimento ativo, como a ecdise nos répteis, onde a vida no animal transborda a sua capacidade limitada de crescimento e expansão.
Bruno Bernardi
O corpo humano é uma nebulosa sulcada de signos herméticos, a paisagem é desolada, desértica e alarmante, procuramos algo nela que não mais existe, restos de vida humana e sinais de abandono, como quer insinuar o fotógrafo ou mesmo peles descartadas de serpentes que encenam os pequenos suicídios sem valor dos que fala o artista.
Sob o céu cinzento de uma buenos aires mítica, recortam-se os galhos e troncos de arvores centenárias. Há de haver um devir incessante nestas composições mutáveis de galhos e folhas que se renovam e semelham brônquios, em decrescentes bitolas, do grande tronco até a minúscula rama, como numa sequência de fibonacci, com sua semente ou flor ou folha efêmeras e mutáveis como aquele homem que atravessa o rio de que fala heráclito de éfeso ou aquele a quem borges se referiu com a sua descarnada poética ao dizer que tal vez a nuvem seja menos vã que o homem que a olha na manhã.
As séries de fotografias aqui expostas tratam destes temas, sugerem uma reflexão sobre o transitório da vida humana, das constantes mutações que impulsionam a nossa história (e a dos outros seres vivos) com uma sobriedade estética e qualidade artística pouco comuns.
Miguel Paladino
Seviço
Exposição: Pequenos suicídios sem valor
Fotografias de Bruno Bernardi
Onde: La mínima Galeria
av pedroso de morais 822/pinheiros - sp
abertura 1 de outubro (quinta) as 20hs
exposição até 25 de outubro
agendamento de visitas pelo tel 3578-0003
miguel paladino e vera albuquerque
curadores residentes
segunda-feira, 24 de agosto de 2015
NILDA NEVES, uma fabula bahiana texto miguel paladino/curador residente
No salão Cabelo & Arte, um pequeno cômodo (um tanto incômodo) nas proximidades do largo da batata convivem desajeitadamente poltronas, espelhos e pirâmides de esmaltes de unhas, com tintas e telas, os mundos ou os remanescentes dos mundos de uma cabeleireira (já desistindo do ofício) e de uma artista vulcânica e visceral (surpresa pelo resultado de seu próprio trabalho) que não consegue parar de pintar.
O saldo desse fervor ou como ela reconhece de “estar sempre com o frenesi no couro” é uma coleção de pinturas que cobre todas as paredes do salão e incontáveis telas enroladas em sacos de plástico de onde surgem 20 ou 30 reminiscências da caatinga em forma de
estórias, desenhos, pinturas e algumas esculturas, além de um violão com o qual se distrai e chora ao ouvir seu amigo fabio teixeira entoando uma canção que ele fez a partir de um poema dela (um cantinho pra chamar de felicidade... diz o refrão na bela voz do fabio e nilda desaba num pranto incontrolável).
A freguesia é variada, tanto nos interesses como nos tipos sociais, já que o salão é procurado pelas prostitutas que trabalham nas casas noturnas dos arredores (passarela e charmosa, com taxa única de 40 reais e direito a privezão) e também por galeristas, marchands e críticos de arte fascinados com o universo pictórico de Nilda, sua simpatia desbordante e uma baianice que não merma apesar dos avatares da vida paulistana, contas a pagar, canos entupidos, falta de água...
Esse cruzamento improvável de pessoas atraídas pelas artes de nilda (a pintora e a coiffeur, a poeta e a contadora de causos) transformam o pequeno salão (naquele “pelourinho” paulistano), numa realidade tão fantástica quanto o vasto sertão de suas origens. Devem ser essas paragens povoadas de barrigudas, mandacarus e gravatás o que seu olhar ausente observa quando, muitas vezes, no meio da conversa, nilda deixa de responder.
segunda-feira, 3 de agosto de 2015
segunda-feira, 27 de julho de 2015
domingo, 26 de julho de 2015
quarta-feira, 1 de julho de 2015
segunda-feira, 18 de maio de 2015
criptocromo_a cor escondida_obras de Marcos Sampaio
A exposição é composta de cinco séries de trabalhos do artista, radicado na França há muitos anos, nas quais discute os temas que despertam seu interesse e alimentam suas preocupações: a relação do homem (predador) com a natureza (ameaçada), as evidências desta relação na paisagem e nos elementos que compõem essa paisagem; a inevitável melancolia que ameaça aqueles que deixaram a terra natal: a paisagem construída na memória que o tempo vai idealizando e diluindo numa perversa equação de lembranças e esquecimentos.
Como temas periféricos a estes embates - e para ressaltá-los -, tematiza a influência solar sobre o eixo magnético da Terra (polaridades); a fotossíntese e a cor escondida (criptocromo); as simpatias usadas no combate à peste negra na França medieval, e, por fim, uma maneira peculiar de tratar as notícias (imagens) cotidianas deixando entrever ideogramas de jornais chineses no emaranhado da pintura gestual a que se dedicou durante uma fase de cores primárias e grafismos de nanquim. Os comentários e a descrição poética destas trinta obras, a cargo de marcos pompéia, transformam o conjunto em pausa ou pretexto para a reflexão sobre nada menos que o sentido da vida, sobre a qual ele indaga (e responde).
marcos sampaio ocupa, assim, lamínimagaleria e intramuros (até o abacateiro no jardim do fundo) com uma exposição provocativa e de exímia qualidade plástica.
miguel paladino (curador residente)
domingo, 3 de maio de 2015
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
artistas re_unidos 17 de Dezembro, 20hs
Fim de ano na galeria la mínima
Re-união de artistas que já expuseram maqui!
Com percusom para graffiti
Dia 17 de dezembro
20hs
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
InterferEnte Jaime Scatena em lamínima, galeria
Interferir tal vez seja o mais humano dos verbos já que a arte (o artista) trata exatamente disso: desenho ou pintura sobre papel ou tela; ponta seca sobre metal brunhido, pressão dos dedos sobre barro, goivas marteladas sobre pedras e madeiras nobres (para ficar apenas no campo clássico das artes plásticas); na procura de expressar algo que um padrão estético classifica como obra de arte.
Frutos desta interferência em materiais artísticos, acondicionados em molduras ou suportes cuidadosamente iluminados povoam museus e galerias, feiras e mercados onde certos maníacos que colecionam esses objetos dão fabulosos lances a fim de leva-los para casa e ter, assim, o privilégio de observá-los a sós (outra inexplicável mania) com orgulho e uma certa melancolia.
A arte moderna primeiro e a pop art depois vieram quebrar esses tabus e dar fim ao fetiche tratando temas cotidianos com despojamento e equilíbrio e reproduzindo, em tiragens gráficas (lito, xilo, silk e até tipografia) aquelas obras criadas, muitas vezes, sob o efeito perturbador da realidade, querendo modifica-la ou glorificando-a, sem muito sucesso no mais das vezes. A propaganda tem se mostrado mais eficaz vendendo eletrodomésticos do que ideais revolucionários. O artista possuído por essa missão resolve interferir nela (não tem mais remédio, está condenado a isso) e, sem saber como (um tanto surpreso) descobre o resultado daquela ação, depois de pronta ou seja quando esgota seu impulso interferente.


Este é o terreno onde circula a arte de Jaime K. Scatena 1, interferências (nos moldes do ready-made) em mídias apropriadas da indústria (cartões postais, mapas, azulejos) veiculadas no cyber espaço e apresentadas agora fisicamente, em matérias concretas como papel e cerâmica, prontas para serem apropriadas num leilão do mercado da arte e levadas para casa ou integrarem a coleção de um museu ou, como agora, a exposição em uma mínima galeria.
Os azulejos participam como suportes de arte nas vitrines de la mínima (uma seleção de 14 peças impressas por sublimação) e como reminiscências da infância nos cacos quebrados do piso da casa da vó (base dos mosaicos feitos à mão com os quais Jaime interfere em cartões postais e mapas).
A palavra, esse outro fetiche caro aos literatos, aparece nos textos ao verso dos cartões em mensagens que devem ser, entendo eu, dirigidas a quem as lê naquele momento ou seja, a todos e a ninguém.
Passem senhores e vejam (e leiam).
Jaime K. Scatena (São Paulo, 1977) é artista, mas também é engenheiro, jornalista e fotógrafo. Estudou fotografia no International Center of Photography (NY, 2013) e na Central Saint Martins, (Londres/2010) e História da Arte (São Paulo/2011 e Florença/2009). Seu trabalho, principalmente baseado em fotografia, explora sua personalidade que é exposta nas suas diferentes séries de auto-retratos, mas também explora o mundo, mostrando-o a partir de um ponto de vista único. Seu trabalho mais recente faz uso de códigos QR para distribuir sua arte multimídia. Jaime já participou de exposições coletivas (PopPorn 2013, Mostra São Paulo de Fotografia
2012) e individuais (São Paulo 2012, Atibaia 2011, Campinas 2006).
Serviço:
Interferente. Exposição de Jaime K. Scatena
La mínima galeria
De 28 out a 16 nov./2014
Av pedroso de morais 822
Tel. 11 3578 0003
domingo, 26 de outubro de 2014
segunda-feira, 20 de outubro de 2014
Arte em comum comentário de Miguel Paladino
Tal vez esteja no título de um (belo) desenho de Julia, presente na coleção, a metáfora que mais se aproxima desta mostra: cantar de dor.
O curador, Rubens Matuck, montou esta coleção de trabalhos artísticos para mostrar (penso eu) que, assim como o uirapuru, certos artistas transformam a dor em canto, a dificuldade em ferramenta, a limitação em linguagem e conseguem expressar plasticamente essa ladeira acima em que vivem, fruto de variados acidentes no percurso de uma vida que, conforme testimonio dos trabalhos aqui expostos, soube sobrepor o incomum e brilhar com luz própria, com uma luz que domina as trevas, com gestos que controlam os materiais artísticos assim como o famoso passarinho da Amazônia controla seu canto perturbado pela adversidade da dor.
A comparação pode ser viciada pela pieguice mas, como haveríamos de entender esta produção artística cujo elo comum é, justamente, ser incomum?
Em princípio todo artista (verdadeiro) é incomum e isto posto não haveria por que ressaltar essa característica ou classificar esta coleção com esse epíteto. Prefiro dizer: artistas (à margem do mercado); livres (no sentido literal do termo), autênticos (pela experiência de vida) e, portanto, verdadeiros (ou seja, incomuns).
Coleção de arte incomum / Curadoria Rubens Matuck
Obras de Julia Paladino; Francisco de Almeida;
Eduardo Villares e Osmar Santos
De 14 a 26 de outubro, 2014
Lamínima galeria / av pedroso de morais 822
Agendamento de visitas pelo telefone 3578 0003
O curador, Rubens Matuck, montou esta coleção de trabalhos artísticos para mostrar (penso eu) que, assim como o uirapuru, certos artistas transformam a dor em canto, a dificuldade em ferramenta, a limitação em linguagem e conseguem expressar plasticamente essa ladeira acima em que vivem, fruto de variados acidentes no percurso de uma vida que, conforme testimonio dos trabalhos aqui expostos, soube sobrepor o incomum e brilhar com luz própria, com uma luz que domina as trevas, com gestos que controlam os materiais artísticos assim como o famoso passarinho da Amazônia controla seu canto perturbado pela adversidade da dor.
A comparação pode ser viciada pela pieguice mas, como haveríamos de entender esta produção artística cujo elo comum é, justamente, ser incomum?
Em princípio todo artista (verdadeiro) é incomum e isto posto não haveria por que ressaltar essa característica ou classificar esta coleção com esse epíteto. Prefiro dizer: artistas (à margem do mercado); livres (no sentido literal do termo), autênticos (pela experiência de vida) e, portanto, verdadeiros (ou seja, incomuns).
Coleção de arte incomum / Curadoria Rubens Matuck
Obras de Julia Paladino; Francisco de Almeida;
Eduardo Villares e Osmar Santos
De 14 a 26 de outubro, 2014
Lamínima galeria / av pedroso de morais 822
Agendamento de visitas pelo telefone 3578 0003
domingo, 12 de outubro de 2014
domingo, 31 de agosto de 2014
Retratofalado
A série de retratos que aqui vemos traz uma carga
literária que o autor se encarrega de ressaltar na apresentação, nas
suas indagações e no corolário de sua dúvida. A inserção de elementos
gráficos sobre um mesmo fundo (herdada da arte pop) age aqui como
leit-motiv do conjunto e remete, obviamente, àquelas montagens que
celebrizaram Andy Warhol como retratista de celebridades. Neste caso,
Michelo parece ir no caminho inverso e faz de um modelo anônimo a base
de um exercício que pode ser inesgotável (tentativas de inscrever um
retrato, falado através de signos, caligrafias e ícones) e a
perturbadora sensação de que o intento falhou, de que será necessário
ampliar o repertório gráfico outro tanto e que, mesmo assim, nunca
conseguirá nos dizer quem é a pessoa retratada ou, como prefere ele *,
quem somos nós, refletidos no espelho da obra que estamos observando. paladino dixit in julio 2014
sexta-feira, 29 de agosto de 2014
"Retratos imaginários" encerra essa semana!
As técnicas são variadas (mas não muito); os rostos
são familiares (mas nem tanto); a casa se mistura
(bastante) com o atelier ou com o que resulta dele;
os nomes das figuras “retratadas” evocam terras
longínquas, culturas diversas. Estamos diante de
uma galeria de personagens que parece ter surgido
de experiências nômades, além mar, em paragens
exóticas. A maneira de pintar é displicente,
gestual, como se o artista tivesse internalizado um
repertório de elementos que compõem os rostos,
elementos com uma carga expressiva que, em
certos casos, é dada por uma imagem fotográfica,
retalhos de outros rostos com que são
compostos estes novos seres mais que humanos,
identi-kits que nascem de uma inquietação
pictórica antes que de uma representação fiel a
um modelo ou realidade qualquer. Afinal, o que é
um rosto se não uma combinação misteriosamente
aleatória daqueles conhecidos elementos que
circundam os sete buracos que todos temos na
cabeça? (aqueles que caetano veloso cantou um
dia em que a presença daquela mulher inundava o
ambiente e tomava conta de tudo).
Paladino, julho _2014
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