sexta-feira, 16 de novembro de 2018
segunda-feira, 22 de outubro de 2018
Para comerte mejor- humor erótico de Candelária Silvestre - 23 de outubro na Galeria!
o microscópio e a luneta
assim, como no meio do nada (sempre em paisagens onde o gesto da "cande" deixou um rasto de pasto ou cortadeiras, de terra molhada ou charcos de lama, mangues ou lodazais) surgem estáticas estas figuras ambíguas de mulheres com pinto, (ou homens com seios conforme o gênero a observar) absolutamente sozinhas mas sempre pousando para um observador que certamente é a artista que as retrata e, se estamos observando esta perturbadora cena, é porque ocupamos agora exatamente a posição que ela ocupava quando as pintou.
assim frente a estas telas, cujo tamanho facilita a imersão do observador e cujo realismo fantástico permite acreditar nelas, entrar nelas, conviver e quem sabe se apaixonar porque uma mulher nua é sempre atraente e neste caso, por uma via enviesada, ao aproximar a mão para enfiar o dedo numa vulva úmida estaremos encostando a palma no pau que elas ostentam com certo ar natural, desavisadas e ingenuamente naturais.
penso estar nessa surpresa a intenção destas pinturas, na terra que treme, no chão que cede, no equilíbrio que desaparece e nos deixa também nus, procurando a nossa identidade que por um momento desapareceu.
menudo papel este que cabe à arte que candelaria provoca com uma pintura que parece enfatizar o ambíguo, desequilibrar o nosso olhar e a nossa emoção com recursos pictóricos apurados onde convivem o despojamento de traços casuais violentos e rítmicos dos fundos com o delicado tratamento do corpo humano, emprestado da cultura pop mas com um certo olhar renascentista, um sexo que parece outro como nestas grandes telas; um conto de fadas delicadamente sensual ou descaradamente pornográfico como o narrado na lingerie da coleção "humor erótico".
disposta a criar um alvoroço que haverá de durar uma semana, em sampa, candelária silvestro mostra simultaneamente dois extremos de sua produção recente: os grandes formatos das telas, expostas na sala da funarte, e as cenas pintadas com delicada maestria em lingeries e telas de pequeno formato em lamínima galeria.
ambas trazem a marca inconfundível de seu traço e parecem feitas para confundir o observador, tirá-lo do massacre do cotidiano para levá-lo ao reino da fantasia, do onírico, a um mundo poroso que pode nos abrigar ou onde podemos nos refugiar mesmo sem saber se as ameaças e os temores (ou prazeres) que o lobo mau de pau duro provoca, a olho nu, podem ser observadas no microscópio ou devemos usar uma luneta, somos origem ou resultado destes devaneios, éramos antes ou somos depois destas obras e, o que, exatamente?
os deslocamentos do olhar para acertar o foco ou corrigir a mira na busca de uma resposta a essa pergunta que estas pinturas provocam, não apenas pelos formatos tão díspares nem pelos suportes tão desiguais mas pelo sadomasoquismo (uma palavra forte mas não achei outra tão apropriada e contundente) que evocam e parece subjazer nelas, instigam uma reflexão tão própria da arte quanto "antes, despues" o poema de julio cortázar que cito, aqui, no original:
Como los juegos al llanto
como la sombra a la columna
el perfume dibuja el jazmín
el amante precede al amor
como la caricia a la mano
el amor sobrevive al amante
pero inevitablemente
aunque no haya huella ni presagio
aunque no haya huella ni presagio
como la caricia a la mano
el perfume dibuja el jazmín
el amante precede al amor
pero inevitablemente
el amor sobrevive al amante
como los juegos al llanto
como la sombra a la columna
como la caricia a la mano
aunque no haya huella ni presagio
el amante precede al amor
el perfume dibuja el jazmín
como los juegos al llanto
como la sombra a la columna
assim ficamos, candelária, "las huellas que dejan tu pintura" e o presságio que anunciam, muito tempo haverão de demorar, por aqui, para serem esquecidas.
miguel paladino, setembro 2018
segunda-feira, 3 de setembro de 2018
quinta-feira, 21 de junho de 2018
JC, um modelo para armar com Miguel paladino, Domingo dia 24!

Encontro que apresenta e celebra a obra de Julio Cortázar coordenado por miguel paladino em la mínima galeria. Uma iniciativa do cronópio gustavo galo que alistou seus amigos para assistir a performance do paladino que fará ouvir gravações, músicas, leituras e assistir filmes e documentários sobre a obra deste autor considerado por muitos como um dos melhores das letras castellanas ou da língua espanhola como é conhecido o idioma de Cervantes no brasil.
contribuição consciente: O evento não tem preço fixo nem é de graça, vamos cuidar de todos e valorizar a contribuição de cada um.
quarta-feira, 6 de junho de 2018
terça-feira, 22 de maio de 2018
quinta-feira, 10 de maio de 2018
terça-feira, 1 de maio de 2018
Luz Marina na galeria

Luz Marina irá apresentar seu novo trabalho: Chama. nesta noite será servido também um caldo especial: Caldo íris.
data: cinco de maio 20hs
ingressos: $30 com caldo íris
bebidas a parte
sexta-feira, 20 de abril de 2018
segunda-feira, 16 de abril de 2018
jardim al sur - obras de viky vitas y pitico vulliez
abertura 14 de março / 19hs
exposição até 13 de abril de 2018
lamínima galeria
Somos artistas que trabalham com uma linguagem análoga.
gestuais
matéricos
Gostamos das formas orgânicas, da vegetação frondosa,
das flores proibidas,
A temperatura dos bosques,
o lodo,
suas umidades
Barro,
texturas,
bulbos,
fluidos.
O aroma da terra molhada,
esse tapete fulgurante que o orvalho insinua.
(P.Vulliez e V.Vitar)
lamínima galeria
av pedroso de morais 822/pinheiros_ SP
Informações
Facebook (La mínima galeria)
lagaleriaminima.blogspot.com
agendamento de visitas (11) 3578 0003
Miguel Paladino
curador residente
o
sul: um arquétipo
No imaginário
portenho, o Sul é símbolo de auspiciosa generosidade. A bravura e
a coragem que ali imperam são, antes que valores de seus habitantes,
predicados de un modo de ser, uma rara qualidade onde a mitologia
conta com heróis de carne e osso, um punhal no cinto, uma cicatriz
no rosto, compadritos cultuados por borges com a admiração e
a inveja do intelectual resignado à sua biblioteca e ao seu jardim*
De um dos pátios
ter olhado
as antiguas
estrelas,
do banco da
sombra ter olhado
essas luzes
dispersas
que minha ignorância
não aprendeu a nomear
nem a ordenar em
constelações,
ter sentido o
círculo da água
na secreta cisterna,
o cheiro do jasmim e
da madressilva,
o silencio de um
pássaro adormecido,
o arco do saguão, a
umidade
- essas coisas são,
talvez, o poema.
.........................................................
* "sul" JLB,
in fervor de buenos aires
Cantado em inúmeros
tangos e referido em poemas épicos que podem remontar aos pampas de
fierro ou àquele "paredon y después" (de homero manzi)
com a sua "luz de almacén" foi atualizado na década de 90
no rock de charly garcia que diz ser da "cruz del sur, aquele
que fecha e apaga a luz".
O termo que descreve
uma constelação visível apenas no hemisfério homônimo é, ou
pode ser, também uma sina, o castigo que toda cruz encerra, el
sur es una cruz, sim, mas tambem pode ser uma cumplicidade e
motivo de orgulho como para torres garcia quando inverte o mapa da
américa ou nos tangos de cortázar, escritos na europa, quando diz
ter saudades de la cruz del sur, el mate amargo... etcétera,
etcétera.
Para somar nas
referencias vale uma menção (inevitável) a SUR, emblemática
revista dirigida por Victoria Ocampo que publicava textos e critica
literária de autores como Alfonso Reyes, Borges e ate Cortázar, e
cujo nome remete ao culto que "el Sur", sempre mereceu na
cultura portenha.
Tenho para mim que os
autores de Florida cultuaram, sempre, os de Boedo e que a recíproca
não é verdadeira mas isso é uma outra história...
jardín al sur
este "jardín"
que pitico vulliez e viky vitar encenam em la mínima com um
conjunto de obras de extrema qualidade artística está "ao sul"
não "no sul" nem podemos dizer que seja "do sul",
mesmo estando em são paulo.
"jardim ao sul"
significa ou pode significar algo distante geograficamente (para
artistas do norte e do nordeste argentino como eles) mas também e ao
mesmo tempo, uma qualidade que recebe a herança dessa mitologia
portenha, "su buena gente, su intimidad".
Do cruzamento desses
componentes da cultura argentina é feita a matéria desta exposição,
doses certas de água e terra que resultam no barro elemental que
pitico modela, a delicada aquarela de vicky cujos pigmentos traçam
arabescos, linhas que parecem buscar o além, algo que só pode ser
encontrado "ao sul" mas não do mapa e sim de nós mesmos.
paladino
Os
artistas com a palavra
Juan
(pitico) Vulliez
Tenho
especial interesse pela exploração sensível do espaço através de
formas orgânicas
Arame,
fio, barro...
Objetos
em permanente tensão entre o plano e o volume.
Matéricos,
frágeis,
sutis.
CV
BREVE / Pitico Vulliez
Nasceu
em 24 de junho de 1968, Colón, Entre Ríos. Mora e trabalha em
Buenos Aires.
EXPOSICIONES
INDIVIDUALES:
2016:
"La morada de las plantas", Jardín Botánico de Buenos
Aires Carlos Thays
2013:
"Escondrijo", Tramando de Martín Churba.
2010:
“El dúctil esfuerzo de evitar la caída", Galería Central de
Proyectos.
2005:
"Dibujos y Objetos", Galería de Arte Juana de Arco.
COLECTIVAS
2014:
"Fragilidad", Embajada Argentina en Paris, Francia. "No
man is an island",
UntitledBcn
Gallery, Barcelona, España.
2013:
"Poética de los sentidos", ABRA Galería, Tandil, Buenos
Aires.
2012:
"Ensueños Naturales", Museo Munt, Tucumán. ArteBA,
Galería Central de
Proyectos.
2008:
"En Estado Natural", Galeria de Arte Bacano. Galería de
Arte Javier Baliña.
Muestra
colectiva.
2007:
ArteBA, Galería Juana de Arco. "HOY", Galería de Arte
Juana de Arco.
2006:
"Golondrina", C. C. Alberto Rouges, Tucumán.
2004:
“Objetos y Dibujos", Galería de Arte Jardín Oculto.
FORMACIÓN:
Autodidacta.
2011-2007:
Pintura, Sofia Huidobro.
2006:
Joyeria, Osvaldo Borras.
2005:
Filosofia y Arte en el C.C.Ricardo Rojas, Lucas Soares.
2004:
Historia del Arte Argentino y Latinoamericano, Laura Batkis.
2003:
Clinica de obra, Jorge Gumier Maier.
2002:
Escenografia, Gaston Breyer.
2001:
Clinica de obra, Juan Doffo.
1996-1993:
Escultura, Juan Calcarami.
Viky Vitar
Como
un brote nace la mujer-planta.
La
línea-liana aflora en papel, tela y pared.
A
veces fría, se congela. A veces caliente, arde.
La
tinta fluye avivada generando nuevos retoños que quedan rodeados de
vacío.
Se enrosca y retuerce. Mana de una boca como palabras que no
acaban
de entenderse. Se enreda en semilla-flor.
mujer
- depósito
mujer
- brotada
Silencioso
hueco de verano.
Las
extremidades se prolongan en el desconcierto, hacen crecer la hoja.
CV BREVE / Viky Vitar
Nació
en 1979. Formada en la ciudad de San Miguel de Tucumán, en la
Facultad
de Artes de la UNT, donde cursó el tallerC. Becada para realizar las
clínicas
de obra organizadas por la Fundación Antorchas con Gumier Maier y
Claudia
Fontes en el 2000 y con Pablo Siquier y Graciela Sacco en el 2001. En
el
2003 se radica en Buenos Aires, donde realiza clínica de obra con el
artista
Tulio
de Sagástizabal (2006). Convocada a participar del Proyecto Pac/
Prácticas
Artísticas Contemporánea, Galería Gachi Prieto, Buenos Aires
(2013).
Seleccionada para el libro Malos Pensamientos (2008), Ilustración
Argentina
Contemporánea. Producción, curaduría y participación PROYECTO
VITRINA,
Buró Arte Tucumán, junto con Florencia Vivas año 2015/2016.
Exposiciones
individuales:
2000:
“Arte a Domicilio”, proyecto de intervención en una casa
abandonada
(Tucumán).
2006:
“Violencia Natural”, Galería de Arte Juana de Arco, BA.
2008:
“Camino al infiernillo” galería Baltar contemporáneo, Mar del
Plata.
2014:
“Tu miedo de la infancia fue fértil”, proyecto Tucumán pinta,
Espacio
Tucumán
en Buenos Aires.
Colectivas
destacadas:
2014:
“Fragilidad”, Galería Argentina, Embajada Argentina en Francia,
París.
No
man is an island, Galería Unttitled, Barcelona, España.
2013:
“Ensueños naturales”, MUNT, S. M. Tucumán. Edición limitada,
Galería
Mar
Dulce, Buenos Aires.
2012:
“Turismo Aventura”, con el Grupo El Ingenio, Gal. Mundo Dios, Mar
del
Plata.
2011:
“Es o no es el sueño que soñé antes del alba”, con el artista
Sandro
Pereira,
C.C. Virla, Tuc.
2007:
“Hoy”, Gal. Juana de Arco , Bs.As. Pinamar +arte, Pinamar, curada
por
Maxi
Jacoby. La Casona de los Olivera , selección de artistas, C.C.
Recoleta,
Bs
As.
2005:
“Flores del Jardín”, Museo Pcial. Timoteo Navarro, Tuc.
2004:
“La recolección”, ArteBA , MALBA –Bs As. (2004). “Muestra
Golondrina”,
organización y curaduría, C.C. Rouges.
para
quem não conhece
**Sur,
tango de Homero Manzi
Sur,
paredón
y después...
Sur,
una
luz de almacén...
Ya
nunca me verás como me vieras,
recostado
en la vidriera
y
esperándote.
No
voy en tren, voy en avión / Charly Garcia
No
voy en tren, voy en avión
no
necesito a nadie
a
nadie alrededor.
Por
qué no hay nadie que mi piel resista,
por
qué no hay nadie que yo quiera ver.
no
veo televisión ni las revistas
no
veo ya nada que no pueda ser.
Por
eso yo no voy en tren, voy en avión
no
necesito a nadie
a
nadie alrededor.
Cuando
era niño nunca fui muy listo
tocaba
el piano como un animal
yo
se que algunos piensan que soy mixto
pero
yo tengo personalidad.
Yo
soy de la cruz del sur
soy
el que cierra y el que apaga la luz
Yo
soy de la cruz del sur
aquí
y en everywhere.
terça-feira, 21 de novembro de 2017
Sob o Céu do Brasil - objetos de Juvenal Pereira
abertura: 24 de nov 20h
algum paralelo há de existir entre o tamanho destas obras e o da galeria, além de estarem ambas sob o céu do brasil e serem recortes de um vasto mundo que cada vez mais nos cobre de incertezas, nuvens passageiras e brilhos de estrelas distantes que talvez não mais existam. que não há nada de novo entre o céu e a Terra deixou de ser verdade posto que vivemos imersos em um mundo de novidades e o futuro nos espanta. mas cá está a obra de juvenal pereira que, como bom mineiro naquele mar de morros, durante o nevoeiro, leva o barco devagar. na voragem do quotidiano, ele propõe uma pausa para um olhar "atento e concentrado" como disse evandro nicolau, no corredor da nossa galeria que parece ampliado pelas imagens e a memória que elas evocam. instaladas de modo a flutuar no suporte que as emoldura, as fotos documentam a longa trajetória do autor enquanto as relíquias de um desastre ambiental de 5 11 15 (um dos maiores da historia da humanidade) alertam para as barbaridades de que o homem é capaz quando movido pela formula suicida de lucro desmedido e descaso ambiental: para não esquecer.
miguel paladino/curador residente
Algo a dizer Sob o Céu do Brasil
Evandro Nicolau / Museu de Arte Contemporânea de São Paulo
A imagem existe a partir de um recorte, de uma ação de colher, de retirar uma porção visual dos fenômenos da existência. Tanto assim que chamamos, no linguajar popular, o ato de fotografar de “tirar uma fotografia”, no sentido formal de extrair parte do que observamos no espaço para que seja transformado em imagem. Imagens são produtos da memória, do passado e ao mesmo tempo se lançam como utopias futuras ao tocarem a imaginação e ao propor rupturas com a observação prosaica do presente. Imagens são pensadas e construídas como linguagem. É a partir da plena consciência dessa ação de construção da imagem que o trabalho Sob o Céu do Brasil de Juvenal Pereira apresenta uma rica memória visual de suas ações de “tirar imagens” do mundo. Ao reduzir as fotografias e também as pequenas esculturas que fazem parte desse grande conjunto de objetos, Juvenal emoldura um espaço de imaginação e poeticamente nos leva a uma observação comedida, atenta e concentrada no trabalho. Uma porção de memória, uma porção de ideologia e uma porção de utopia se amalgamam em objetos artísticos que em sua natureza diminuta se ampliam ao tocar o olhar, o pensamento e o coração do espectador.
sobre o autor
Juvenal Pereira nasceu em 1946 na cidade de Romaria-MG. A partir de 1970 atuou durante cerca de quarenta anos como reconhecido fotojornalista para vários dos mais importantes jornais e revistas do Brasil, como O Cruzeiro, Veja, Isto É, O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo.
Foi um dos mentores da criação do Mês Internacional da Fotografia em São Paulo; representou o Brasil no Mois de la Photographie em Paris em 1992.
Com exposições em diversos museus, seus trabalhos fotográficos são atualmente parte de importantes coleções privadas e públicas, como a coleção do MAM Museu de Arte Moderna de São Paulo ou a Coleção Pirelli MASP.
Entre 2010 e 2014, cursou diversas disciplinas no Programa Universidade Aberta da Terceira Idade na USP Universidade de São Paulo, período em que criou performances, instalações, curadorias e palestras. Participou de coletivas brasileiras e internacionais.
sábado, 18 de novembro de 2017
segunda-feira, 20 de março de 2017
Christiano Whitakes / decolagem_dapintura
apresentação miguel paladino (curador residente)
DA COLAGEM
No primeiro manifesto do Surrealismo. André Breton referia-se à colagem1 “inventada” por Max Ernst em 1933 (a célebre SEMANA DE BONDADE2) como “uma proposta de organização visual absolutamente virgem”, sem deixar de dizer, ao mesmo tempo, que correspondia, em termos de poesia, ao que buscaram Lautréamont e Rimbaud.
Ernst, por sua vez, afirmava que René Magritte, outro notório surrealista, era autor de inúmeras “colagens pintadas à mão”.
Na América Latina coube a Leon Ferrari emular esses procedimentos com uma carga de critica política à Igreja e aos regimes militares por meio de colagens e ready mades, e à moral católica e bons costumes em parahereges, onde cenas bíblicas convivem com o Kama Sutra.
Richard Hamilton (AS CASAS DE ONTEM) na Inglaterra e Warhol (SOPA CAMPBELL) nos Estados Unidos se encarregam de trazer a colagem para o mundo industrial pela técnica da serigrafia, ou de levar o mundo da indústria para dentro da colagem com um misto de crítica e elogio próprios da estética pop.
Neste universo navega Christiano Whitaker, acrescentando a suas colagens um toque de humor carioca, para circunscrevê-lo geograficamente, e um certo humor negro, para defini-lo temporalmente. Alguns dos nomes evocam estórias que a literatura imortalizou, como a do rei que enfrenta adversidades da velhice (REI LEAR - Shakespeare) e da mulher que se lança nas águas tentando alcançar a lua (ISMÁLIA, Alphonsus de Guimaraens), ou da entidade que presidia aos funerais nos quais amigos ou parentes do morto cortavam os cabelos e os jogavam numa fogueira em honra à deusa infernal. (os gregos acreditavam que PERSÉFONE fazia reencontrar objetos perdidos, lemos no Google).
A Alice de Lewis Carroll e a Leda espartana representada certa vez por Leonardo são citadas tambem pelo artista como parte instigante desta iconografia literária feita de colagens de ideias. O nosso é um tempo de recorte e colagem, CTRL C CTRL V, de informação desenfreada e consumo exacerbado, e Christiano consegue transformar esses paradigmas em alimento da arte, seu próprio combustível. As embalagens e anuncios descartados vêm protagonizar uma galeria de personagens curiosamente inusitados que acabam revelando a origem do nosso tempo, dentro do qual nós tambem somos feitos de recortes e colagem.
1 As colagens e “assemblages” constituem uma expressão caraterística da lógica de produção surrealista, ancorada na ideia de acaso e de escolha aleatória, princípio central de criação para os dadaístas. A célebre frase de Lautréamont é tomada como inspiração forte: ‘”Belo como o encontro casual entre uma máquina de costura e um guarda-chuva numa mesa de dissecção”.
A colagem é uma técnica plástica que supõe existir uma produção industrial gráfica (catálogos, revistas, folhetos, ) passivel de ser descartada, picotada, estiletada e que resulta na aplicação inusitada de recortes com um discurso quase sempre poético, aproximando elementos de origens diversas que começam a existir num mesmo campo visual com novos significados interrelacionados a favor das intenções do autor ou artista, aquele que está com a tesoura ou o estilete numa mão e a cola na outra.
2 Terceiro romance-colagem de Ernst - que já havia produzido “La femme 100 têtes” (1929) e “Rêve d’une petite fille qui voulut entrer au Carmel” (1930) -, “Uma semana de bondade” foi criada em 1933, auge do movimento surrealista, durante uma viagem de três semanas à Itália, precisamente ao Castelo de Vigoleno, cidade medieval da Emilia-Romagna. Recortando uma série de imagens de livros, jornais, romances e revistas populares na Europa desde 1850, o artista transformou entretenimento em uma ação de alerta e revolta contra os valores da época.
(http://mundocollage.blogspot.com.br/2010_06_16_archive.html).
Da pintura
Uma série de retratos e outra de ictiografias compõem este conjunto de pinturas de Christiano, apresentadas na galeria como uma sequência enfileirada lembrando um corredor polonês, em cuja travessia o visitante certamente haverá de apanhar. Mas o espírito curioso não quer passar rapidamente e sim, antes, deter-se na observação destes rostos extremamente expressivos, nos quais a angústia é superada pela surpresa que um ornamento ou prótese pisciforme pode provocar. Seres imaginários como aqueles descritos pelo Padre Zallinger em “Animais nos Espelhos”,(*) onde “el Pez era un ser fugitivo y resplandeciente que nadie habia tocado, pero que muchos pretendian haber visto en el fondo de los espejos” ou como a rémora (peixe que, na época das primeiras navegações ultramarinas, trnava mais lentas as caravelas).
Os nomes dos retratados guardam uma ambígua função, já que parecem identificar pessoas que realmente existem e, ao mesmo tempo, parecem nomear seres imaginários ou literários cujas biografias, em aberto, sugerem narrativas fantásticas. Mas nossa fruição pode tambem prescindir das legendas e apreciar a plástica e a elegância que estes bustos transmitem, e recuperar assim o ato da pintura no seu estado mais espontâneo e expressivo. De uma maneira ou de outra nunca seremos os mesmos depois de atravessar o corredor polonês que o artista montou no estreito da galleria, onde as cores, os olhares e as legendas parecem representar o eco do eco de um sentimento (**).
(*) El libro de los seres imaginarios de Jorge Luis Borges. / (**)Eco de Jorge Drexler
o mundo do atelier & o atelier do mundo
um percurso pelos corredores do amplo apartamento de Christiano em Copacabana é uma viagem em vários sentidos. A convivencia de objetos que o tempo foi acumulando é uma colagem da sua obra na arte da vida, ou da sua vida na obra de arte, ou qualquer outra combinação desses fatores que possa nos ocorrer aleatória e indistintamente. Um caos rigorosamente criado pelo artista aproxima estatuetas da Birmânia ou do Vietnam com fotos da familia, arte indígena e móveis marchetados; telas de amigos com esculturas chinesas e desenhos das netas - assim deve parecer o mundo a este inquietante artista: uma experimentação constante onde praticamente tudo é quase sempre possível ou onde quase nunca nada morre tudo. Convivência talvez seja o termo que melhor define a sua estética, assim como o espontâneo ou o improviso definem sua ética.
lista de 38 obras (30 na galeria e 8 no jardim)
Colagens
01. O Sonho- colagem s/cartão; 56 x 67 cm, 2015
02. Arlequim - acrílica e colagem s/cartão; 68 x 59 cm, 2011
03. Alice e o Gato - acrílica e colagem s/papel; 56 x 48 cm, 2009
04. Leda e o Cisne - acrílica e colagem s/cartão; 40 x 50 cm, 2010
05. O Namorado - acrílica e colagem s/papel; 45 x 49 cm, 2008
06. Maternidade - acrílica e colagem s/cartão; 68 x 59 cm, 2010
07. O Pregador - acrílica e colagem s/tela; 50 x 70 cm, 2016
08. O Grão Mestre- acrílica e colagem s/papel; 55 x 65 cm, 2016
09. Rei Lear - acrílica e colagem s/papel; 65 x 48 cm ,2010
10. Selfie - pastel aquarelável e colagem s/papel; 30 x 42 cm, 2016
11. Día de los Muertos – acrílica, pastel e colagem s/papel; 30 x 42 cm, 2014
12. Perséfone- colagem s/papel 40 x 50 cm, 2016
13. Miss Cartier- colagem s/cartão entelado; 30x46 cm, 2016
Pinturas
14. Nimrod – acrílica s/tela; 70x50 cm, 2015
15. Rei Peixe Rei– pastel seco e hidrográfica s/papel; 60 x 71 cm, 2016
16. Pescadora 1– pastel seco e carvão s/papel; 21 x 28 cm, 2015
17. Pontifex – acrílica s/tela; 42 x 39,5 cm, 2015
18. Pescadora 2– pastel seco sobre papel; 22 x 31 cm, 2016
19. Jonas – pastel oleoso s/papel; 42 x 30 cm, 2015
20. Koi – pastel seco e acrílica s/papel; 45 x 32 cm, 2015
21. O barqueiro – pastel seco e carvão s/papel; 42 x 30 cm, 2015
22. Diego - acrilica s/tela; 40 x 40 cm, 2015
23. Pequena figura- pastel seco e hidrográfica s/papel; 21 x 30 cm, 2016
24. Duas figuras - pastel seco s/papel; 31 x 32 cm, 2016
25. Gavril - pastel seco e grafite s/papel; 30 x 42 cm, 2016
26. Bento - pastel oleoso s/papel; 32 x 45 cm, 2014
27. O luminoso - acrílica s/papel; 32 x 45 cm, 2016
28. Airton - lápis de cera e acrílica s/cartão; 30 x 36cm, 2014
duas colagens
29. Ismália - colagem s/papel; 102 x 73 cm, 2004
30. Só se pensa - acrílica e colagem s/tela; 50 x 70 cm, 2016
Jardim da Galeria
31. O Cavaleiro 1 - acrílica sobre tela/44x60 cm; 2015
32. O Cavaleiro 2 - acrílica, colagem e hidrográfica s/tela/50x40 cm; 2016
33. Walther - pastel seco s/cartão/32 x 44 cm ; 2014
34. Rosazul - acrílica s/tela; 34x42 cm, 2016
35. Pensante/técnica mista s/papel / 31 x 39,5; 2016
36. Trindade - técnica mista s/ cartão / 50 x 40 cm, 2008
37. Chapeuzinho - técnica mista s/ cartão / 27,5 x 40 cm, 2008
38. Nekko - técnica mista s/papel / 36 x 46 cm
abertura: sábado, 25 de março, 2017 - 17h
la mínima galeria
av pedroso de morais 822 - pinheiros
agendamento de visitas pelo telefone 11 3578 0003
produção Camila Whitaker
montagem Miguel Paladino (curador residente)
Curriculum Vitae
Christiano Whitaker Nascido em São Paulo, 24/12/1940. Carreira Diplomática, 1967 a 2010. Nove postos no Exterior, dentre os quais os de Embaixador em Hanói (Vietnam) e Windhoek (Namíbia).
Estudos de pintura e desenho na Escola de Artes Visuais do Parque Lage (Rio de Janeiro), sob a direção de Orlando Mollica, e no ateliê de Fernando Zenshô Figueiredo.
Exposições:
Individual – Galeria Mezanino
Coletivas- Galeria Mezanino, Galeria Os Modernistas (Rio de Janeiro), Galeria La Mínima
segunda-feira, 13 de março de 2017
quarta-feira, 6 de julho de 2016
terça-feira, 5 de julho de 2016
sexta-feira, 1 de abril de 2016
domingo, 27 de março de 2016
Lançamento do Cadeno de Ensaio no. 4 da editora Matéria Plástica.
“Gel” - ensaio fotográfico de Carlos Ebert
Este é o Caderno de Ensaio no. 4 da Matéria Plástica que sera lançado no dia 05 de abril de 2016 em la mínima galeria a partir das 19h30.
Editados desde julho de 2015, os "Cadernos" apresentam ensaios de fotografia, pintura ou desenho, feitos a partir do desafio aos artistas para desenvolver um assunto especifico no formato previamente definido de 15x21cm e 28 páginas.
Sobre "Gel" fala seu autor:
“Não tem a importância de um estado da matéria (ah... se fosse um plasma...). É apenas uma consistência: entre a geléia tremebunda da infância e a pasta de dente mais aguada dos tempos de dureza. Flagrei uma usuária checando um pote no super chingling do quarteirão. Quanto ela levantou o dedo da gosma branca, ficou um desenho, um arabesco pra lá de orgânico. Taí! Pensei. Paguei e levei o potão pra casa.
Primeira experiência: gelar e amornar para ver como a consistência mudava. Gelar ficou melhor. Segunda experiência: colocar num vidro e iluminar por baixo, e depois sobre um papel e iluminar por cima? Os dois eram interessantes. As formas resultantes permitiam uma infinita gama de projeções mentais. Eram orgânicas ao mesmo tempo que abstratas e até geométricas. Tinham a ver com os fractais de Mandelbrot. Iluminei com todo tipo de lâmpada, usei espelho, celofane e gelatina. Me diverti à beça.
Viajei demais e no final veio a indefectível frase do Wittgenstein: “Em arte não existe melhor assunto do que não ter nenhum assunto.” A dúvida aí estava no “em arte”. Mas isso não era minha parte nas ações. Fiquem com o gel.”
Carlos Ebert janeiro 2016
Sobre o autor
Diretor e fotógrafo de cinema, televisão e publicidade, carioca de 1946, Carlos Ebert estudou arquitetura na Universidade Federal do Rio de Janeiro e cinema na Escola Superior de Cinema São Luiz, em São Paulo. Desde 1970, dedica-se também ao ensino da fotografia para cinema. Foi fundador, primeiro Presidente e Vice-Presidente da Associação Brasileira de Cinematografia.
Carlos Ebert começou em 1966 como repórter fotográfico, tornou-se operador de câmera e diretor de fotografia em 1968 e diretor em 1970. No final dos anos 60, participou do cinema marginal e foi câmera e diretor de fotografia de um dos filmes mais significativos do movimento, O Bandido da Luz Vermelha (1968), de Rogério Sganzerla, e em 1970, dirigiu República da Traição. Filmografia completa: http://carlosebertcinematographer.blogspot.com.br/2004/08/curriculum-vitae.html
serviço :
“GEL” de Carlos Ebert
projeto gráfico - Luis Jungmann Girafa
materiaplastica@gmail.com
Brasília abril de 2016
lançamento dia 5-04-2016 / 19h30
la minima galeria
822 av. pedroso de morais_sp
agendamento de visitas : 3578-0003 ou na página FB
lagaleriaminima.blogspot.com/
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